IAC JULIANA
Uva Branca de Sabor Moscatel para Mesa
Celso V. Pommer
Ivan José Antunes Ribeiro
Mário José Pedro Júnior
José Luiz Hernandes
Fernando Picarelli Martins
Paulo Boller Gallo
A viticultura de mesa vem-se fortalecendo no Estado de São Paulo, sendo dos poucos segmentos do agronegócio com incremento de área constante e significativa nos últimos dez anos. A região de Campinas e Jundiaí continua sendo a de maior expressão na viticultura paulista devido a sua área de quase 6.000 hectares e à exploração tipicamente familiar, que lhe confere caráter de fundamental relevância.Entretanto, o clima da região não propicia alternativas aos produtores para escalonamento da safra que acaba concentrada de meados a fim de dezembro até meados a fim de fevereiro, mantendo os preços baixos ao longo desse período.Por outro lado, um fator importante que também conduz a essa situação de preços baixos é o uso exclusivo de apenas uma variedade - a Niagara Rosada.O Instituto Agronômico (IAC), continuando com seu programa de melhoramento da videira, ativo desde 1942, tem como um dos objetivos criar e selecionar cultivares de uva que possam se tornar em alternativas viáveis e interessantes aos viticultores. Em decorrência disso, foi obtida a cultivar IAC Juliana, ora apresentada aos produtores.
ORIGEM
A cultivar IAC Juliana resultou de cruzamento realizado em 1983, sendo um dos quase dois mil seedlings obtidos de diversos cruzamentos no fim da década de 70 e início da de 80 (Ferri e Pommer, 1995; Pommer, 2000; Pommer et al., 2000).
O cruzamento que deu origem ao novo cultivar foi realizado pelo PqC Dr. Ivan José Antunes Ribeiro, então Chefe da Seção de Viticultura do IAC. Os seedlings foram plantados no Centro Experimental de Campinas, hoje Núcleo Experimental de Campinas.
A cultivar IAC Juliana foi selecionada pelo PqC Dr. Celso V. Pommer, em 1988/89.
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Itália |
Bicane | |
| Moscatel de Hamburgo | ||
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IAC JULIANA |
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IAC Madalena |
Seibel 11.342 | |
| Moscatel Branco | ||
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Genealogia da Cultivar IAC Juliana |
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O genótipo foi testado nas Estações Experimentais de Agronomia de Mococa e de Tietê, feita com propagação vegetativa, juntamente com outros clones híbridos selecionados, comprovando boas características.
Em 1997, estabeleceu-se pequeno campo de observação na Estação Experimental de Agronomia de Jundiaí, em desenho experimental, com a cultivar enxertada sobre três porta-enxertos de uso corrente, ou seja: IAC 766, Riparia do Traviú e IAC 572.
O nome da cultivar é dado em homenagem a Juliana Perecin Antunes Ribeiro, filha do PqC Dr. Ivan José Antunes Ribeiro.
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CARACTERÍSTICAS DA UVA
Cacho de tamanho médio (230 a 300 g), cilíndrico-cônico, pouco alado, mediamente compacto. As bagas são de tamanho médio, esféricas, de cor branca.
O sabor é caracteristicamente moscatel, bastante agradável especialmente junto à casca; a textura da polpa é carnosa, bem mais firme e mais aderente à casca do que a de ‘Niagara Rosada’. O resumo das características é o seguinte:
Cachos:
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Comprimento: |
16 a 20 cm 10 a 14 cm 230 a 300 g |
Bagas:
| Número médio por cacho: Peso total de bagas: Peso médio da baga: Comprimento: Largura: Teor de sólidos solúveis: |
60 a 75 g 220 a 280 g 3,3 a 3,5 g 18,6 a 37,0 mm 17,1 a 17,7 mm 13,5 a 15,5 Brix |
Comportamento Fenológico
‘IAC Juliana’ apresenta duração de ciclo similar ao de 'Niagara Rosada'. As fases de brotação e florescimento ocorrem entre 13 e 15 dias e 45 e 50 dias após a poda respectivamente.

Caracterização fenológica (média do período de 1998-2000) dos cultivares de uva
de mesa IAC Juliana e Niagara Rosada, em Jundiaí (SP). Datas dos eventos:
poda:11/8 para ambas; brotação: 24/8, 26/8; florescimento: 1. /10 e 27/9;
colheita: 23/12 e 28/12 para Juliana e Niagara Rosada respectivamente.
A colheita é feita, normalmente, após 135 a 140 dias da poda, tendo 'Juliana' mostrado tendência à precocidade (cerca de 5 dias) em relação à 'Niagara Rosada'.
A soma térmica necessária para completar o período poda-colheita é de 1.585 graus-dia para as cultivares, considerando-se a temperatura-base de 10 C.
CARACTERÍSTICAS CULTURAIS
‘IAC Juliana’ apresenta bom vigor vegetativo. As brotações são caracteristicamente eretas, devendo ser amarradas aos arames, da mesma forma que ‘Niagara Rosada’.
A brotação das gemas é excelente, com fertilidade média de 1,4 cachos por ramo.
É comum a brotação de gemas secundárias, originando produção de cachos (second crop). Suporta poda longa ou curta, podendo ser conduzida facilmente em espaldeira.
A cultivar é pouco mais suscetível que 'Niagara Rosada' às doenças fúngicas, principalmente ao míldio e à antracnose, exigindo tratamentos fitossanitários preventivos.
A produtividade média de três anos, em Jundiaí, foi de 2,6 kg/planta, tendo alcançado valores de 4,3 kg/planta, em anos agrícolas propícios.
O desenvolvimento é normal e equivalente nos porta-
-enxertos Ripária do Traviú, IAC 572 e IAC 766, não tendo sido testado ainda em outros.
O espaçamento das parreiras pode ser o usual da região de Jundiaí (2 m x 1 m), mas deve apresentar bons resultados, como os de ‘Niagara Rosada’, nos espaçamentos mais adensados como os de Indaiatuba.
RECOMENDAÇÃO E USO
‘IAC Juliana’ é recomendada como alternativa à ‘Niagara Rosada’, devendo ser escolhida para cultivo em substituição gradual a esta, iniciando com, no máximo, 1/3 da área total, para dar condições ao produtor de habituar-se as suas características.
Pelo acompanhamento até aqui efetuado, ‘IAC Juliana’ tende a ser mais precoce que ‘Niagara Rosada’ em anos mais secos, fato que pode se repetir em todos os anos na microrregião de Indaiatuba.
LITERATURA CONSULTADA
FERRI, C.P.; POMMER, C.V. Quarenta e oito anos de melhoramento genético da videira em São Paulo. Scientia Agricola, Piracicaba, v.52, n.1, p.107-122, 1995.
POMMER, C.V. Relatórios anuais individuais ao Instituto Agronômico. 1991 a 2000.
POMMER, C.V.; RIBEIRO, I.J.A.; PASSOS, I.R.S.; TERRA, M.M.; PIRES, E.J.P.; MARTINS, F.P.; FRUTUOSO, L.N. Effectiveness of biparental crosses on breeding table grapes in Brazil. Acta Horticulturae, Amsterdan, v.528, n.2, p.677-684, 2000.
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MATERIAL DE PROPAGAÇÃO
O IAC dispõe de material de propagação - estacas e garfos - dos principais cultivares comerciais de videira, tanto copas como porta-enxertos, livres de vírus.
Os interessados devem procurar a Estação Experimental de Agronomia de Jundiaí de fins de abril ao início de junho de cada ano para inscrever-se. A disponibilidade pode variar de material para material e de ano para ano, mas as quantias são apenas o suficiente para o próprio interessado realizar sua multiplicação posterior.
Centro
Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Frutas
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